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domingo, 17 de maio de 2015

Safena

Sabe o que é um coração
amar ao máximo de seu sangue?
Bater até o auge de seu baticum?
Não, você não sabe de jeito nenhum.
Agora chega.
Reforma no meu peito!
Pedreiros, pintores, raspadores de mágoas
aproximem-se!
Rolos, rolas, tinta, tijolo
comecem a obra!
Por favor, mestre de Horas
Tempo, meu fiel carpinteiro
comece você primeiro passando verniz nos móveis
e vamos tudo de novo do novo começo.
Iansã, Oxum, Afrodite, Vênus e Nossa Senhora
apertem os cintos
Adeus ao sinto muito do meu jeito
Pitos ventres pernas
aticem as velas
que lá vou de novo na solteirice
exposta ao mar da mulatice
à honra das novas uniões
Vassouras, rodos, águas, flanelas e cercas
Protejam as beiras
lustrem as superfícies
aspirem os tapetes
Vai começar o banquete
de amar de novo
Gatos, heróis, artistas, príncipes e foliões
Façam todos suas inscrições.
Sim. Vestirei vermelho carmim escarlate
O homem que hoje me amar
Encontrará outro lá dentro.
Pois que o mate.

Elisa Lucinda


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.

Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê.
Quem sente não é quem é.



Atento ao que sou e vejo.
Torno-me eles e não eu.
 

Cada meu sonho ou desejo.
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem.
Assisto à minha passagem.
Diverso, móbil e só.
Não sei sentir-me onde estou


.
Por isso, alheio, vou lendo.
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo.
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li.
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?
Deus sabe, porque o escreveu.

(Fernando Pessoa)

terça-feira, 12 de junho de 2012

Guardando rebaños


posta sol turo de l'home.jpg
J. D/2011. Por do sol Turo de l'home. Catalunya-Es 

Escribir, escribir
Es todo lo que hay
Escribir, escribir
Es sólo lo que hay.
Contar y vivir
Luego revivir a través de las palabras 
Reescribir finales
Escudriñar sentimientos
Ser el “guardador de rebaños” de toda humana inexplicable
Por que “pensar es no comprender” es “estar enfermo de los ojos”
“La única inocencia es no pensar”.
Por ello robo palabras antes escuchadas
Frases hechas antes formuladas que traducen la mímica apagada
De esta cara que tan poco expresa lo que alberga el alma.
Evoco el regreso a las cosas sencillas
A las cosas llanas y claras
A los días de la semana en portugués
Al olor a agua clara.
Álvaro de Campos que me proteja
Que me lleve a su magnífica metafísica de no pensar en nada
Callar la boca y sosegar el alma
“Ser” como única meta a ser alcanzada.
Oigo pasos en la calle
La  gente que comenta la vida
Qué Dios me dé Su simplicidad
Un río, un árbol, una flor, el mar
Todo lo que existe sin explicar
Qué así es, Qué así sea y así siempre será.

(M. C. F. T. Barcelona, 12 de junio de 2012)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Alma Fatiada



Uma das muitas Almas de João da Cruz e Sousa,considerado o mestre do simbolismo brasileiro. O Poeta de Desterro foi um homem apaixonado, autor de versos transcendentais que ganharam o mundo. 

ALMA FATIADA


Vê como a Dor te transcendentaliza! 
Mas no fundo da Dor crê nobremente. 
Transfigura o teu ser na força crente 
Que tudo torna belo e diviniza.

Que seja a Crença uma celeste brisa 
Inflando as velas dos batéis do Oriente 
Do teu Sonho supremo, onipotente, 
Que nos astros do céu se cristaliza.

Tua alma e coração fiquem mais graves, 
Iluminados por carinhos suaves, 
Na doçura imortal sorrindo e crendo...

Oh! Crê! Toda a alma humana necessita 
De uma Esfera de cânticos, bendita, 
Para andar crendo e para andar gemendo!